Fernando de Noronha

Bonito

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

A vertigem

Baía do Sancho



Advertência: em Noronha, olhar é atividade de alto impacto

Se a expressão "beleza indescritível" pudesse descrever alguma coisa, talvez descrevesse aquilo. São apenas 350 metros de areia branca, azul cristalino e um paredão rochoso que se ergue ao fundo, imponente. Uma praia, na falta de superlativo melhor, belíssima. Uma das únicas quatro praias brasileiras com a cotação máxima no Guia Brasil 2009. Mas isso é, com todo o respeito, idiotia objetiva, conversa para boi dormir, teoria para pouca prática. A Baía do Sancho é linda de morrer. Botar os olhos nela parece causar vertigem. Vertigem em seus sinônimos de desvario e loucura e também na acepção popular, de altura. Afinal, para chegar até ela é preciso descer por uma seqüência de escadas de 50 metros esculpidas na fenda.

A vertigem não livra nem quem já esteve ali algumas vezes, como eu. Em 2000, fiz as trilhas que partem do Sancho para a Baía dos Golfinhos, à esquerda, e para a Baía dos Porcos, à direita. Todas curtas, de fácil acesso, com mirantes espetaculares. Nos quais você vai parar muitas vezes, extasiado. A tentação de interromper a marcha é constante. Neste ano, quando voltei, quis conhecer o que para mim era novidade: as cachoeiras, exclusivas do período de chuvas (de abril a agosto). Eu esperava uma tirinha de água fraca. Não era. Massageava as costas. Para me secar, desci à areia e virei Verônica à milanesa, inspirada na francesa cinqüentona que rolava a meu lado. Por ali, italianas de topless, brasileiros jogando frescobol e uma mulher pronta para mergulhar, dando passos desengonçados na areia com seus pés-de-pato. Mais tarde, eu soube por seu Maurício, 47 anos e funcionário do Ibama há 20, que "o pessoal fica bem à vontade no canto esquerdo da praia".

As pessoas fazem muitas coisas no Sancho, como de resto em qualquer praia. Mas a mais banal dessas atividades - olhar - é ali a de maior impacto.

Fonte: Revista Viagem

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